Março: reflexão e compromisso no enfrentamento à violência contra a mulher
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09 de março de 26
Por Dra. Joyce Capelli – Presidente do Instituto Melhores Dias
O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, é um período que nos convida não apenas à celebração das conquistas femininas, mas também à reflexão profunda sobre os desafios que ainda persistem para milhões de mulheres no Brasil. Entre esses desafios, um dos mais graves e urgentes é a violência contra a mulher — um problema social que exige atenção permanente do poder público, das instituições e de toda a sociedade.
Apesar de avanços importantes na legislação e na conscientização da população, os dados continuam alarmantes. No ano passado, 2025, foram registrados 118,6 mil pedidos de medida protetiva no Estado de São Paulo, um aumento de 17,5% em relação ao período anterior.
Porém, pesquisas recentes mostram que 13,1% das vítimas de feminicídio, uma em cada quatro, no Brasil, possuíam medida protetiva no momento em que foram assassinadas. Isso significa que muitas mulheres buscaram ajuda, denunciaram seus agressores e confiaram na proteção do Estado, mas ainda assim foram vítimas da violência extrema.
Esse dado revela que, embora a legislação represente evolução, é preciso fortalecer os mecanismos de proteção, fiscalização e acompanhamento dessas medidas, garantindo que mulheres ameaçadas estejam realmente seguras.
Outro levantamento recente mostra que o número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo aumentou 96% em quatro anos, o que evidencia que a violência de gênero continua crescendo mesmo em regiões com maior infraestrutura de segurança pública e serviços sociais.
Casos recentes divulgados pela imprensa também escancaram a brutalidade que muitas mulheres ainda enfrentam. A investigação de um estupro coletivo de uma menor no Rio de Janeiro, descrito pelas autoridades como resultado de uma emboscada planejada pelos suspeitos, evidencia a crueldade e a desumanização presentes em crimes de violência sexual.
Situações como essa reforçam a sensação de insegurança vivida pela população e mostram como a violência, em diferentes formas, impacta o cotidiano das mulheres.
Diante desse cenário, é importante reconhecer também iniciativas voltadas ao acolhimento e à reconstrução da vida das vítimas. O Ministério da Saúde anunciou novas ações voltadas para mulheres em situação de violência, incluindo teleatendimento em saúde mental e reconstrução dentária pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O enfrentamento da violência contra a mulher também passa pelo cuidado integral. A saúde é um direito da população e o respeito é um direito inalienável da mulher brasileira.
Nesse contexto, a prevenção tem papel essencial. É preciso atuar antes que a violência aconteça, promovendo educação, diálogo e construção de valores baseados no respeito.
No Instituto Melhores Dias, acreditamos profundamente no poder transformador da educação. Por isso, desenvolvemos o programa Prevenção é a Melhor Opção, que capacita professores e gestores escolares para abordar temas sensíveis como violência, uso de drogas e sexualidade com alunos e comunidades escolares.
O programa é baseado na informação qualificada e no diálogo, fortalecendo o ambiente escolar como um espaço seguro de escuta, acolhimento e orientação. Nosso objetivo é oferecer ferramentas para que educadores possam trabalhar o respeito mútuo entre meninas e meninos, jovens e adolescentes, contribuindo para a construção de relações mais saudáveis e conscientes desde o ambiente escolar.
A escola é um dos espaços mais importantes para a formação de valores. Quando ensinamos respeito, empatia e responsabilidade, estamos ajudando a construir uma sociedade em que a violência deixa de ser tolerada e passa a ser combatida desde suas raízes.
Neste mês dedicado às mulheres, precisamos reforçar um compromisso coletivo: o combate à violência contra a mulher não pode ser apenas uma pauta de um dia ou de uma campanha anual. Ele deve ser uma prioridade permanente.
Somente com políticas públicas eficazes, educação transformadora, redes de proteção fortalecidas e participação ativa da sociedade será possível construir um país em que todas as mulheres possam viver com dignidade, segurança e liberdade.


